Sim, às vezes o que falam de nós corresponde com a realidade

MENTIRA! Palavras de um evangelho coaching pra massagear o Ego a trazer conforto para os que vivem no pecado, são palavras de ânimo para o pecador continuar pecando, sentindo-se confortável e não perderem as próximas reuniões, até porque, do púlpito eles estão recebendo palavras de conforto e não de confrontação.

Eu particularmente não conheço a vida deste pregador, não posso falar por ele totalmente, mas conheço muito bem a igreja que ele pastoreia antes mesmo dele sonhar em pastoreá-la, e conheço também muitos dos seus membros.

Numa primeira observação, pode soar deselegante da minha parte, pegar parte de uma mensagem de mais de 01 (uma) hora, descontextualizar e sair criticando, mas eu tive escola, não sou tolo a esse ponto. Eu não estava presencialmente no culto, mas estava acompanhando pela internet (03/07/22), e essa fala não foi descontextualizada, o pregador disse o que disse mesmo:

Você não precisa ficar debaixo do que os outros falam, até porque, o que os outros falam não definem a sua identidade, muito menos quem você é.

De certo, que nem tudo que os outros falam definem aquilo que somos, isso é verdadeiro. Os entreveros ocorridos entre Jesus e os religiosos de sua época provam isso, nada que Jesus fora chamado pelos fariseus-religiosos correspondiam com a realidade.

No entanto, o fato inverso pode ocorrer com grandiosa precisão.

Vejamos: João Batista chamou os fariseus de “raça de víboras” (Mt 3:7), palavra forte que, em suma, significava que eles eram pessoas ruins, maldosas, traidoras. Para João Batista, o precursor do evangelho, quem era ruim, era ruim.

Jesus chamou Judas de “traidor”, e o chamou sem motivo? Não. Judas com um beijo o havia traído (Lc 22:48).

Paulo dizia quem pregasse outro evangelho, que não fosse o de Cristo, deveria ser chamado de “amaldiçoado” (Gl 1:7 e 8), forte, não? Em outro momento, Paulo chama alguns de “enganadores”; chama os Gálatas de “burros” (Gl 5), outros de “cães” (palavra forte naquele tempo), “mentirosos”, “falsos”; outros de “avarentos”…

Para Paulo, aquele que é definido como mentiroso, sendo mentiroso em suas ações, mentiroso se faz. Podemos dizer, então, que uma mulher conhecida como “safada” e que é definida como safada pelos outros – não por machismo, mas porque a sua vida é uma rebordose de safadeza –, é safada. O falso que é definido pelos outros como sendo falso, sendo ele, de fato, falso, falso se fez.

Conquanto não houver uma genuína conversão, gente que é o que é, continuará sendo o que é, posto que, somente quando a consciência da fé que transforma e convence o homem/mulher do erro, somente quando Cristo entrar e modificar, o ser definido pelos outros como sendo aquilo demonstra ser, continuará sendo.

Só a consciência da fé com arrependimento que muda rotas e a vida do homem no geral pode mudar você de ser definido(a) pelos outros. Mas se após mudarem, converterem-se e, ainda assim, serem definidos como aquilo que não são, aí o problema não é mais você, mas o outro. Enquanto isso, ou mude, ou então continuará tendo, acertadamente, sua identidade definida pelos outros.

Rubens Júnior
Campos/RJ,
05/07/2022.